Sinopse do enredo de Carnaval 2020

APRESENTAÇÃO

“O tempo me fez resistência do samba, herança da cor e berço de bambas”.

 

O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Leandro de Itaquera, com suas raízes e ancestralidades africanas, apresenta como enredo para o carnaval no ano de 2020 uma história de luta, fé, coragem, alegria e resistência.

Numa viagem lúdica nossa escola se personifica da soberania, do orgulho e coragem de um leão representando a força da “Mãe África”.

“De África ao Brasil” encontra no “Reduto Itaquera” A versão contemporânea de um reinado africano - defendido por leões e abençoado pelos orixás... Um reduto de resistência, de reminiscências e heranças da cultura africana.

Em sua narrativa e desenvolvimento a Leandro de Itaquera conta a saga dessa bravura, iniciando pela história ancestral desse continente – “África – o Berço da Humanidade”, - que ao homem deu vida. Uma civilização bravia – que espalhou em suas terras e pelo mundo “Leões de uma Força Abençoada” sempre lutando por suas conquistas e liberdade... Tal qual “O Reduto da Leandro de Itaquera.”

Emoldurada pelo vermelho - símbolo da guerra, fonte de energia e poder, e coberto pelo branco de paz. Cores desse reino contemporâneo. Assim, vem da Zona Leste, a mais simpática! E convida você a viajar, se encantar e festejar com nosso enredo no carnaval de 2020.

OBJETIVO

Desenvolver um enredo tendo como tema o continente africano e a vinda dos negros para o Brasil. Porém, não exaltando a narrativa de dores, lamentos e sofrimentos das tristes viagens para serem escravos em nossas terras. Abordaremos e apresentaremos a ancestralidade e o legado de uma civilização a qual desde muito cedo já tinha organizações politicas bem estabelecidas, tradição de elegância, realeza, e sabedoria, chamadas convenientemente pelos colonizadores de um povo primitivo.

A partir desses apontamentos, propomos através desse enredo tecer o fio da memória, exaltando e apresentando a importância do continente africano e da vinda dessa gente para o Brasil, tornando-se cultura étnica mater em nossa formação, social e cultural.

E foi miscigenando-se, que desenhou uma cultura afro-brasileira de se orgulhar.

SALVE A CRIOLAGEM! SOMOS NEGROS! SOMOS ÁFRICA! SOMOS A RESISTÊNCIA!

DESENVOLVIMENTO DO ENREDO

A amarração para narrativa do enredo terá como personagem principal a figura do Leão, animal africano e simbolicamente representativo da força e coragem desse continente. Coincidências a parte... O inconsciente revela e esboçam nossas origens – E esse mesmo animal é também símbolo da Leandro de Itaquera, Escola de samba da Zona leste de São Paulo que personifica a luta e resistência de uma comunidade.  Essa agremiação “geografiza-se” como polo e reduto de memória, preservação e entretenimento do ritmo mais conhecido no Brasil – O SAMBA - heranças de África, oriunda da “civilização banto” quando lá, era chamado de “SEMBA”.

O LEÃO: Encontrado no continente africano, possui significado peculiar a esse continente desde antiguidade, até os dias atuais. Aparece como animal símbolo de muitos países africanos. Majestoso e poderoso, o leão é um símbolo solar e luminoso. Rei dos animais traduz sabedoria, poder e justiça, mas também orgulho, domínio e segurança. Nas várias culturas religiosas do mundo, o leão está também associado à figura do pai, do mestre, do chefe ou do imperador. Em Itaquera foi escolhido como símbolo da “Escola de samba Leandro de Itaquera”.

SINOPSE

1º Setor - O Leão primitivo de África – O Berço do Mundo

O continente de peculiares e exóticas belezas naturais!

DA MÃE- ÁFRICA AO BRASIL!  Os tambores da Leandro outra vez vão ecoar!

OBATALÁ... Surge a criação! Surge o mundo – Do ventre da Terra - “Mãe Negra África”.

Dá o sopro da vida...

ORUMILÁ... Com fé e resistência conduza e abra nossos caminhos... Busque nossos destinos!

ODUDUWA... Embala a vida... Proteja o universo – Ilumine seus filhos – Abençoei seus leões! Vamos para a luta!

LEÕES ABENÇOADOS... Vamos rugir alto! Corajosos, fortes e destemidos. Irmanados vamos à passarela adentrar!

Sou Negra-Mãe... Na imensidão do universo e do meu ventre fiz o homem surgir! Ao mundo fiz meus filhos caminharem.  Hoje representada pela Leandro de Itaquera com muita coragem e orgulho vou rugir forte nessa avenida!

Coroada pelo sol resplandecente! Ah quanta luminosidade... Em ouro embelezei o meu infinito... Acolhi fauna e flora especial e bordei o meu cenário!

De minha terra fiz surgir o baobá, árvore de raízes fortes e resistentes...

Era o prenúncio de uma flora e belezas naturais sem igual: rios, mares a me banhar! Densas florestas e savanas a emoldurar minha paisagem exótica e sensacional! 

Tenho a altivez de uma girafa... A velocidade de leopardos... A robustez e força bruta de rinocerontes e elefantes... Camuflo-me em cores variadas disfarçando predadores e exploradores. Sou crocodilo, zebra, antílope, gnu, macaco e pássaros exóticos que bailam em meio a negritude a se mostrar... Animais ferozes minhas belezas a vigiar. Sou África! Mitológica... Berço da humanidade de peculiares belezas naturais!

Sou Leão de uma raça... Sou forte, orgulhosa e símbolo de coragem!

2º Setor - Divinas Nações, Reinos e Impérios – Leões de Devoção e fé!

Na singularidade de minha nobreza sou a - Divina África - Ancestral de tribos e clãs... De Nações, Estados, de Reinos e Impérios... Sou símbolo de fé e devoção!

Na liberdade de minhas terras, cada região e etnia um destino! 

Rituais tribais e Candomblé... Cultos de adoração à natureza! O inicio de tudo!

Em minha parte Ocidental, na região de Ifé, fiz brilhar o reino de OYÓ! De cultura Ioruba ou também chamada de Nagô... Louvar os Orixás... Nesse reino, meu filho “Xangô” foi o maior líder sob a regência de um leão.

Na antiga Dahomé- Jeje em grande louvação! Mitologia Fon! Aos vodus, em sua fé, seguidores a cultuar!

Etnia Banto...  Reino do Congo - parte centro ocidental. Bela! Linda e rica cultura.  Dançar, cantar, louvar e adorar para as divindades chamadas de “inkises” conhecidas como “Candomblé de Angola”. Dessa região, parte de mim foi arrancada sem dó nem piedade e sem nenhum “agô”...  Daqui saiu a maioria de meus filhos em números elevados para no Brasil serem escravizados.

Subjugados a escravidão em terras distantes - proibidos de professar suas crenças. Só lhes restou muita fé, resistência e sincretismo! Assim deixei meus ensinamentos religiosos na alma e na fé desse país. Nas rodas de capoeira no calar da noite, silenciosamente nessas terras plantei o candomblé, que mais tarde seria a base que frutificou os fundamentos de varias religiões afro-brasileiras especialmente da umbanda.

Cristianismo...  Aqui em minhas entranhas floresceu. Exatamente no Egito que foram traçados os primórdios caminhos dessa crença.

Islamismo... Allah também foi abrigado em meu negro seio. Hoje religião de maior número de adeptos por aqui... Espalhado por grande parte da África teve seu grande impulso e ápice a partir dos Impérios de Mali e Songai, quando se deu a conversão de seus soberanos, vassalos e habitantes. E a maioria passou a seguir o “Alcorão”. 

Não importa a sua crença ou religião! Mãe África sempre abençoa! Seja um leão de devoção! Expresse sua Fé!

3º Setor - Leões da Arte, Poesia e Criação - Cultura Africana.

Tudo feito a mão... Minha história, minha vida e minha existência são de pura arte. Sou arte desde a criação do homem! A partir do barro vida a ele eu dei. Esculpi e modelei...

Forjar, fundir a ferro e fogo riquezas do meu chão!

Muito cedo minhas crias dominaram a arte da escultura, fundir nos metais, cortar e talhar, na madeira e no marfim...  Gamelas, tambores, escudos e objetos rituais...

Trançar palhas e folhas do mato... Cada árvore dedicada a um orixá, cada arte um preceito, uma oferenda em devoção.

Dançar, louvar, festejar! E louvando as divindades... Entre o sagrado e o profano: simbolismo, sensualidade, equilíbrio do corpo e da alma como movimento dos rios de minha geografia. Elegância e suntuosidade de minha prole africana!

Das tribos aos Impérios e Reinados! Lundu, Funaná, marrabenta, kuduro, jongo, umbigada... Entrar na roda Iaiá... Vem Ioiô... Jogar capoeira e sambar... Negras danças e ritmos impulsionados por frenéticos movimentos corporais!

Dois tipos de manifestação de minha gente - “o jongo e o semba”, no Brasil fiz prosperar – amontoados e desprezados nas senzalas nos morros e favelas e na luta pela liberdade esses ritmos tornam-se símbolo de resistência e liberdade. E nessa caminhada de luta, o “jongo” avô do samba juntou ao pai - “semba” e construiu a maior manifestação da terra que outrora meus filhos foram escravizados – e de presente fiz surgir “o samba brasileiro”.  Que zueira... Em terras brasileiras o samba levantou poeira!

Deixei o samba! Dei o carnaval E hoje de cada barracão - O colorido da alegria é real!

Na tradição oral da memoria de minhas reminiscências - O “Grió” – vai anunciar: Sou berço da sabedoria, tenho poesia, sou musica e na fé e devoção conduzo minha inspiração! Faço o mundo delirar!

Somos leões da mais pura arte e da criação! Defensores de uma Nação!

4º Setor - Das Savanas Africanas Às savanas de Itaquera

Lutar, Libertar e Resistir!

Em minhas savanas e densas florestas a paz reinava e tudo era felicidade!

Grandes Impérios, fortes nações, desenvolvimento e muitas riquezas. E já no inicio da idade média diante da cobiça desenfreada e das investidas do homem branco oriundos do continente Europeu. Muitas invasões, explorações, saques... Minhas terras dividiram entre si. Minhas riquezas foram sangradas e saqueadas.

Meus filhos foram roubados – negociados como escravos em mercados a beira de portos e como escravos foram viver em outros países aonde o europeu ia se apoderando e colonizando. Principalmente nas Américas.

Do dia para noite, assisti civilizações e culturas de minhas terras serem destruídas.

Revoltas, levantes não faltaram, mas a força e o contingente do homem branco nessa desenfreada ambição a cada dia nos levava a derrota.

Lutava-se aqui, lá e acolá... Inúmeros foram os leões de luta, brigas e resistências...

Porém uma delas se destacou. Líder do povo Mbundu e rainha de Ndongo e Matamba, Nzinga tornou-se figura emblemática do período colonizatório na África, ao lutar contra a ocupação dos lusitanos e a escravidão de seu povo por quatro décadas.

Por outro lado ainda que ceifados de meu seio e de minhas entranhas e subjugados ao trabalho escravo e bem longe de minha alma, filhos meus não desertaram a luta...

Quilombos...  Reuniões secretas... Fugas... Rebeldias! Uma legião em busca da liberdade e lutando contra seus algozes...

Zumbi! Teresa de Benguela! Dandara! Ganga Zumba!  Benedito Meia-Légua... 

Leões de uma raça, brigando por seus irmãos em prol da libertação!   

Séculos se passaram e o homem branco que loteou as minhas terras e delas se apoderaram, como verdadeiros donos insistiam em não deixa-las e ainda impunha ordens e leis de humilhação ao meu povo. Revoluções, mais levantes, batalhas e guerras na luta pelas independências.  Nessa luta, foi brigando, resistindo contra o “Apartheid”, sistema que pregava a segregação racial na África do Sul - e libertando o povo negro de mais uma saga de sofrimento, Nelson Mandela, torna-se o grande leão dos últimos tempos em solo africano.

Muito mais que libertar nossos filhos e nossos negros irmãos, era preciso também preservar minhas heranças e meus ensinamentos, para o acalento do meu povo que agora outras terras habitavam. E sabiamente através de uma rica miscigenação, social e cultural, núcleos modernos como redutos de resistência surgem na terra brasilis. Cultura negra, ritmo, dança e percussão... Memória e heranças, hoje símbolo de nosso país. Na praça onze filha Ciata, a semente plantou! O tempo passou... E no rebolado e gingado da negra alforriada e na batida do tambor, de terreiro em terreiro o samba prosperou.

Cultura afro-brasileira expressões de meus descendentes. Raça arte e expressões de um povo... Núcleos... Redutos... Verdadeiros Quilombos de preservação. Guardiões de uma história, suas influencias e tradições.

E hoje no “Reduto Itaquera” um leão rugi alto em defesa de seu povo e sua comunidade, lutando para preservar a cultura que de minhas origens mandei.

Salve a “Savana da Zona Leste”! Salve o guerreiro leão Leandro Alves! Por sua luta, sua fé e valorização das minhas raízes na preservação da cultura de origem negra.

Sejamos gratos! Leandro de Itaquera... Vamos fazer uma “muvuca”. Sacode negritude!

Mostre minhas raízes! Quero ver nessa avenida a força de minha raça! Bate forte o tam-tam, ecoa as batidas do tambor e enfeitice essa avenida!

Sou Mãe África, forte, resistente, berço do homem! De história, de arte, luta e resignação.  Símbolo mater dessa miscigenação! Sou você!

Façam “Batuk” gostoso... Eu quero uma “Kizomba“!  E a todos um Axé bem formoso!

Irmanados - somos “LEÕES ABENÇOADOS”!

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